O Kanal 1, por meio do jornalista Arthur Garcia, teve acesso exclusivo a dois boletins de ocorrência que revelam denúncias graves contra um maestro e professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Três estudantes da universidade, relatam episódios de assédio moral, perseguição, condutas abusivas, invasão de privacidade e tentativa de contato físico dentro da instituição e durante atividades relacionadas aos projetos musicais.
Segundo o primeiro boletim, registrado pelas alunas, o comportamento do maestro se agravou a partir de abril de 2025, quando uma das alunas assumiu um novo cargo na orquestra universitária. Desde então, ela afirma ter passado a sofrer agressões verbais, cobranças excessivas e perseguição por parte do professor, que também buscava informações sobre sua vida por meio de terceiros. Em setembro de 2025, durante uma viagem de trabalho para Barra dos Garças, o maestro e sua esposa teriam segurado a estudante pelo braço, conduzindo-a a um local isolado e fazendo ameaças sobre sua permanência no cargo. Após o episódio, a pressão psicológica e o monitoramento de suas atividades teriam se intensificado.
O caso mais recente narrado pelas duas ocorreu em 25 de novembro de 2025, quando o maestro chamou as alunas para uma conversa antes do ensaio. As vítimas relatam que ele aparentava estar sob efeito de substância e passou a fazer comentários inapropriados, além de tentar estabelecer contato físico. O professor teria se posicionado na porta para impedir que ambas saíssem da sala e chegou a erguer uma das alunas no colo, momento em que a outra aluna tentou intervir. As duas conseguiram fugir e se esconder no Cineclube da universidade. Um áudio do diálogo foi anexado ao procedimento policial. Ambas afirmam temer pela própria segurança.
O segundo boletim, registrado um dia antes, em 24 de novembro de 2025, foi apresentado por outra aluna, que relata que o comportamento abusivo do maestro começou ainda em outubro de 2023. Na ocasião, segundo ela, o professor foi até o auditório onde a aluna estudava sozinha e fez declarações amorosas, afirmando que deixaria sua esposa por ela. A estudante afirma que a relação entre ambos sempre foi exclusivamente acadêmica e que nunca houve qualquer aproximação pessoal além de interações formais.
Após a declaração, o maestro passou a demonstrar um comportamento possessivo, questionando suas ações dentro da universidade, observando quando ela mexia no celular durante reuniões e monitorando suas interações nas redes sociais, incluindo curtidas em publicações de outros professores. Ela afirma que não denunciou antes para evitar a descontinuidade do projeto de extensão do qual participava.
Em 2024, durante uma aula, o maestro teria exigido que a estudante entregasse seu celular para que ele verificasse se ela mantinha algum relacionamento pessoal que pudesse afetar seu desempenho. Diante da recusa, ele teria tomado o aparelho, que estava carregando, e o arremessado sobre o piano. No dia do registro da ocorrência, o suspeito telefonou diversas vezes para a vítima e chegou a ir até sua residência informação que, segundo ela, ele não deveria possuir. O comportamento a deixou amedrontada, levando-a a procurar a delegacia.
Os dois boletins revelam um padrão de condutas abusivas, envolvendo declarações impróprias, controle sobre a vida pessoal das alunas, perseguição, explosões de raiva, tentativa de contato físico e uso de intimidação. Há ainda referência a uma denúncia anterior envolvendo o mesmo professor, relacionada a assédio, registrada por outra estudante.
As vítimas afirmam temer novas investidas e pedem que medidas sejam adotadas pela polícia. Até o momento, a UFMT não se manifestou oficialmente sobre os casos. As investigações seguem em andamento, e testemunhas devem ser ouvidas nos próximos dias. O Kanal 1 continuará acompanhando o caso e trará atualizações assim que novas informações forem confirmadas.




























