Seguro rural premia manejo do solo e corta 50% do custo do seguro

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A entrada de Mato Grosso do Sul em um novo modelo de seguro rural muda a lógica de proteção da lavoura no país: pela primeira vez, o produtor passa a pagar menos conforme melhora o manejo do solo, e não apenas pelo histórico climático da região.

A mudança vem com a ampliação do Zoneamento Agrícola de Risco Climático por Níveis de Manejo (ZarcNM), ferramenta do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). O modelo foi estendido ao Estado por meio da Resolução nº 111/2026 do Comitê Gestor Interministerial do Seguro Rural.

Na prática, o impacto é direto no bolso. No milho safrinha, uma das culturas mais sensíveis à seca no Estado, o governo federal poderá bancar até 50% do valor do seguro nas áreas com melhor classificação de manejo. Em propriedades com nível mais baixo, o subsídio começa em 40%.

Para a soja, o incentivo também existe, mas em menor escala: varia de 20% a 40%, conforme o nível da área produtiva. A diferença entre um produtor e outro passa a depender do que ele faz dentro da porteira. Áreas com plantio direto consolidado, cobertura de solo e maior capacidade de retenção de água tendem a receber classificação mais alta e, com isso, pagar menos pelo seguro.

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Esse enquadramento será feito previamente por meio do Sistema de Identificação de Níveis de Manejo (SINM), da Embrapa. Com isso, o produtor saberá antes de contratar a apólice qual será seu nível de risco e o percentual de subvenção a que terá direito.

O modelo também muda o tempo da decisão. O seguro poderá ser contratado antes mesmo do plantio, com base nas janelas do Zarc, trazendo previsibilidade para o planejamento da safra. No caso do milho safrinha, as lavouras plantadas no início de 2027 já poderão entrar nesse novo sistema.

A exigência mínima é contratar seguro com cobertura de pelo menos 65% da produtividade esperada. Caso a apólice seja cancelada, o subsídio precisa ser devolvido — o que aumenta o compromisso com a contratação efetiva.

Até aqui, o projeto estava restrito à soja no Paraná. Com a ampliação, Mato Grosso do Sul entra como área prioritária tanto para soja quanto para milho de segunda safra, ao lado de Estados do Sul.

O avanço ocorre em um momento de perdas recorrentes por clima no Estado, especialmente no milho safrinha. Ao atrelar o valor do seguro à qualidade do manejo, o governo tenta atacar o problema na origem: reduzir o risco produtivo dentro da própria lavoura.

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No limite, a mudança transforma o seguro rural em instrumento de gestão, e não apenas de compensação. Quem produz melhor — e com mais resiliência — passa a pagar menos para se proteger.

Fonte: Pensar Agro

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